Por Carlos Almada Psicólogo, Neuropsicólogo e Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Imagine a seguinte cena: você sabe exatamente o que precisa fazer. Você tem capacidade intelectual para fazer. Você até quer fazer. Mas, por alguma razão invisível, você não consegue começar. Ou começa, mas se perde no meio do caminho, distraído por pensamentos, barulhos ou impulsos repentinos.
Se isso descreve a sua vida, você não está sozinho. E, muito provavelmente, você não é “preguiçoso” ou “desinteressado”.
Como Psicólogo e Neuropsicólogo especializado no atendimento de adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), recebo diariamente em meu consultório (online e presencial) pessoas exaustas. Pessoas brilhantes que sentem que estão vivendo muito abaixo do seu potencial, lutando contra o próprio cérebro para realizar tarefas simples do cotidiano.
Neste artigo completo, vou explicar, sem “oiques”, o que realmente diferencia um cérebro com TDAH, como funciona o diagnóstico sério em adultos e quais são as abordagens de tratamento que realmente funcionam (baseadas em evidências).
Neste artigo sobre TDAH você lerá:

1. Por que procurar um “Especialista em TDAH” e não um psicólogo generalista?
Muitos pacientes chegam até mim depois de anos de terapia convencional sem resultados práticos. “Eu falava sobre minha infância, chorava, me sentia acolhido, mas continuava perdendo as chaves e atrasando projetos”, eles dizem.
A diferença fundamental está na abordagem. O TDAH não é apenas uma questão emocional; é um transtorno do neurodesenvolvimento.
Enquanto a psicologia generalista foca muitas vezes no “conteúdo” (o que você sente), o especialista em TDAH e Neuropsicologia foca no “processo” (como seu cérebro funciona). Precisamos entender as suas Funções Executivas:
- Controle Inibitório: A capacidade de “frear” um impulso (seja de falar, de comprar ou de comer).
- Memória de Trabalho: O “rascunho mental” que nos permite segurar uma informação enquanto fazemos outra coisa.
- Flexibilidade Cognitiva: A capacidade de mudar de tarefa sem travar.
Um especialista não vai apenas perguntar “como você se sente sobre seu atraso”. Ele vai te ensinar estratégias de engenharia reversa para que você não se atrase mais, respeitando a neurobiologia do seu cérebro.
2. O Diagnóstico de TDAH em Adultos: Como funciona?
Uma das maiores barreiras para o tratamento é o medo do diagnóstico. “Será que vou ser rotulado?”, “Será que estou inventando?”.
O processo diagnóstico em adultos é clínico, minucioso e investigativo. Ele não se baseia em um exame de sangue ou ressonância magnética (que não detectam TDAH), mas sim na análise do padrão de comportamento ao longo da vida.
No meu protocolo de atendimento, dividimos o processo em etapas claras:
A. A Entrevista Clínica (Anamnese)
Investigamos a sua história. O TDAH não surge aos 30 anos; ele estava lá na infância, mesmo que “mascarado”. Você era a criança que “vivia no mundo da lua”? Ou a que “não parava quieta”? Como isso evoluiu para a vida adulta?
B. Escalas e Rastreio
Utilizamos escalas padronizadas mundialmente (como a ASRS, DIVA-5 ou SNAP-IV) para mapear a frequência e intensidade dos sintomas. Isso traz objetividade para o que você sente.
C. A Avaliação Neuropsicológica (O “Pente Fino”)
Em casos mais complexos — ou quando precisamos diferenciar o TDAH de ansiedade, bipolaridade ou altas habilidades — realizamos a Avaliação Neuropsicológica completa. Aqui, aplicamos testes de desempenho cognitivo que medem sua atenção sustentada, sua memória e sua velocidade de processamento. É como um “check-up” das funções do seu cérebro.
Importante: O diagnóstico pode ser feito online? Sim. Com as ferramentas de telemedicina e testes digitalizados, realizo diagnósticos com a mesma precisão e validade ética para pacientes em todo o Brasil e brasileiros no exterior.
3. O Tratamento Padrão-Ouro: TCC e Medicação
A ciência é clara: o tratamento mais eficaz para TDAH em adultos é a combinação de Psicofármacos (medicamentos) + Psicoterapia Específica (TCC).
Pense no tratamento como um óculos. O medicamento (prescrito pelo médico psiquiatra parceiro) é como o óculos: ele corrige o foco biológico, aumenta a dopamina disponível e permite que você “enxergue”. Porém, o óculos não ensina a ler. Quem ensina a ler (a organizar a vida, a lidar com emoções) é a Terapia.
O papel da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Na minha prática clínica, usamos a TCC para treinar o cérebro em habilidades que não vieram “de fábrica”:
- Organização do Tempo e Planejamento: Aprender a usar agendas externas, não confiar na cabeça.
- Regulação Emocional: Aprender a lidar com a frustração e a impulsividade (a famosa “pavio curto”).
- Reestruturação Cognitiva: Mudar a crença de “sou preguiçoso/burro” para “tenho um cérebro diferente e preciso de estratégias diferentes”.
4. Dúvidas Frequentes (FAQ)
Selecionei as perguntas que mais recebo no consultório e no portal TDAH Brasil:
O TDAH tem cura? Não, pois não é uma doença, é uma característica neurobiológica. Mas tem tratamento e controle. Com as estratégias certas, você pode ter uma vida funcional, produtiva e feliz. Muitos empreendedores e criativos de sucesso têm TDAH e usam isso a seu favor.
A terapia online funciona para TDAH? Sim, e para muitos pacientes é melhor. O atendimento online elimina a barreira do deslocamento (reduzindo atrasos) e permite que o terapeuta ajude o paciente a organizar seu próprio ambiente doméstico ou de trabalho em tempo real.
Só o remédio resolve? Raramente. O remédio melhora o foco, mas não melhora o hábito. Se você tomar a medicação e sentar para jogar videogame, você vai jogar videogame com muito foco. A terapia é essencial para direcionar esse foco para onde importa.
Eu preciso de encaminhamento médico para marcar a consulta? Não. Você pode agendar sua avaliação inicial diretamente comigo. Se, durante a avaliação, identificarmos a necessidade de suporte medicamentoso, farei o encaminhamento para psiquiatras da minha rede de confiança (Synapsis) ou trabalharei em conjunto com o seu médico atual.
Conclusão: Não aceite o caos como “normal”
Se você chegou até aqui, é provável que esteja cansado de tentar se adequar a um mundo que parece não ter sido feito para o seu ritmo.
O diagnóstico de TDAH na vida adulta não é uma sentença; é uma libertação. É a chave que explica por que certas portas estavam trancadas e qual ferramenta usar para abri-las.
Como especialista, meu objetivo não é “consertar” você, mas fornecer o manual de instruções do seu próprio cérebro.
Vamos investigar isso juntos?
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